a lição do sol

Aqui me senti abençoado, em verdadeiro estudo.

Poder acompanhar o sol subindo cada degrau de sua escada e observar suas mãos sobre o mundo – que tanto pode ser da estatura do Baú como do infinito universo do olho da mariposa – isso é incrível.

Que mestre é o Sol! Mesmo após um dia inteiro discursando a nós, sobre a forma, peso, volume, tonalidade, movimento, até o seu último instante, ele é mestre: despede-se lançando seus últimos versos por entre-nuvens como sua máxima lição de desenho. Falando aqui não apenas de técnica, mas de experiência de vida, ou poética, como queira. De desenho como desígnio ou intenção.

A maior privação que se tem em uma cidade concretada de prédios é não poder observar a peregrinação diária do Sol e do horizonte necessário. O Sol revela todas as formas, por vários ângulos e intensidades. E, ao mesmo tempo em que descreve um tratado da impecável beleza das formas, nos mostra também, que são formas e apenas formas. São todas perecíveis.

E o horizonte, é o catalisador dos sonhos, dos planos, dos desejos. É essa abertura de espaço e de tempo que propicia o silêncio necessário para ouvir, de peito aberto, os conselhos do Sol. E refletir essa luz na própria vida. Digo isso não só de mimimi poético, mas como realidade material, física, psicológica, humana. É fato que precisamos desse espaço/tempo. Não há necessidade de provas científicas, mas com certeza, surgirão pesquisas e estatísticas e números a concordar.

Sem observar o trajeto solar no horizonte, é fácil se perder e se bitolar no cotidiano. E seguir um dia após o outro como se fosse nada.

Não à toa, para muitos povos o Sol é Deus. E Kon-Tiki foi um ser vivo mesmo, segundo as tradições orais, caminhou por entre os homens, navegou com eles, e junto deles tomou decisões, encorajou e deu conselhos. E está no sangue pelas gerações.

Kenji

13 de abril de 2015

dos primeiros passos em são bento

Saindo de São Paulo, são cerca de três horas para chegar em São Bento do Sapucaí, e mais uns vinte minutos até esta casa aos pés da Pedra do Baú. O Tempo cansa de subir este mar de morros – tira o suor da testa e encosta debaixo de uma árvore. Parece que aqui na serra o Tempo é outro. Mas o Tempo, ele continua a subir, lento, mas caminha, sim.

A verdade é que, neste silêncio, nós é que somos outros. O Tempo é o mesmo, é ele e somente ele. Enquanto nós é que estamos a procurar o Tempo, ou um “tempo diferente”. Esse talvez seja nosso maior espanto.

Quando topamos com uma Natureza mais equilibrada, mais viçosa, percebemos que ela simplesmente é: é aquilo o que é e sempre foi. Enquanto nós somos sempre o eterno filho pródigo, a procurar o que nos falta. A Natureza aguarda nosso retorno de braços ternos, como mãe.

E de fato, é um reencontro nosso retorno: reencontro não com uma natureza distante, mas com a nossa própria Natureza, a criança solar. Nós somos a Natureza.

Reaprendemos (ou aprendemos de verdade) o que é o pôr-do-sol, a nuvem em chuva, o tempo das árvores. As ervas, o capim ou mato, os vôos, a mina da água. Voltamos a perguntar os nomes das coisas, pra que serve, se é de comer, como faz isso ou aquilo… a soletrar a vida.

Enxergar as cores, os desenhos no céu, os gostos, os rostos e os tons. A criança solar de curiosidade e humildade. Pois é impossível ser indiferente, quando se põe a caminhar na crista estreita da pedra alta. Que sensação é andar descalço na pedra nua, com precipício ao redor! Certo está Amyr Klink: um homem precisa viajar, viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu! E, claro, Matisse: é preciso ver o mundo com olhos de criança!

Kenji

13 de abril de 2015

 

abril de 2015

“Nascer, morrer, renascer e progredir sem cessar: esta é a lei.”
(Goethe)

“O Homem já não deve temer nem apenas crer e amar, mas também, e sobretudo, saber porque crê e por que ama”.

(Rivail)

 

“Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poderio da causa é a razão da grandeza do efeito”.

(Rivail)

 

(S.O)

10 de abril de 2015