dos primeiros passos em são bento

Saindo de São Paulo, são cerca de três horas para chegar em São Bento do Sapucaí, e mais uns vinte minutos até esta casa aos pés da Pedra do Baú. O Tempo cansa de subir este mar de morros – tira o suor da testa e encosta debaixo de uma árvore. Parece que aqui na serra o Tempo é outro. Mas o Tempo, ele continua a subir, lento, mas caminha, sim.

A verdade é que, neste silêncio, nós é que somos outros. O Tempo é o mesmo, é ele e somente ele. Enquanto nós é que estamos a procurar o Tempo, ou um “tempo diferente”. Esse talvez seja nosso maior espanto.

Quando topamos com uma Natureza mais equilibrada, mais viçosa, percebemos que ela simplesmente é: é aquilo o que é e sempre foi. Enquanto nós somos sempre o eterno filho pródigo, a procurar o que nos falta. A Natureza aguarda nosso retorno de braços ternos, como mãe.

E de fato, é um reencontro nosso retorno: reencontro não com uma natureza distante, mas com a nossa própria Natureza, a criança solar. Nós somos a Natureza.

Reaprendemos (ou aprendemos de verdade) o que é o pôr-do-sol, a nuvem em chuva, o tempo das árvores. As ervas, o capim ou mato, os vôos, a mina da água. Voltamos a perguntar os nomes das coisas, pra que serve, se é de comer, como faz isso ou aquilo… a soletrar a vida.

Enxergar as cores, os desenhos no céu, os gostos, os rostos e os tons. A criança solar de curiosidade e humildade. Pois é impossível ser indiferente, quando se põe a caminhar na crista estreita da pedra alta. Que sensação é andar descalço na pedra nua, com precipício ao redor! Certo está Amyr Klink: um homem precisa viajar, viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu! E, claro, Matisse: é preciso ver o mundo com olhos de criança!

Kenji

13 de abril de 2015