a lição do sol

Aqui me senti abençoado, em verdadeiro estudo.

Poder acompanhar o sol subindo cada degrau de sua escada e observar suas mãos sobre o mundo – que tanto pode ser da estatura do Baú como do infinito universo do olho da mariposa – isso é incrível.

Que mestre é o Sol! Mesmo após um dia inteiro discursando a nós, sobre a forma, peso, volume, tonalidade, movimento, até o seu último instante, ele é mestre: despede-se lançando seus últimos versos por entre-nuvens como sua máxima lição de desenho. Falando aqui não apenas de técnica, mas de experiência de vida, ou poética, como queira. De desenho como desígnio ou intenção.

A maior privação que se tem em uma cidade concretada de prédios é não poder observar a peregrinação diária do Sol e do horizonte necessário. O Sol revela todas as formas, por vários ângulos e intensidades. E, ao mesmo tempo em que descreve um tratado da impecável beleza das formas, nos mostra também, que são formas e apenas formas. São todas perecíveis.

E o horizonte, é o catalisador dos sonhos, dos planos, dos desejos. É essa abertura de espaço e de tempo que propicia o silêncio necessário para ouvir, de peito aberto, os conselhos do Sol. E refletir essa luz na própria vida. Digo isso não só de mimimi poético, mas como realidade material, física, psicológica, humana. É fato que precisamos desse espaço/tempo. Não há necessidade de provas científicas, mas com certeza, surgirão pesquisas e estatísticas e números a concordar.

Sem observar o trajeto solar no horizonte, é fácil se perder e se bitolar no cotidiano. E seguir um dia após o outro como se fosse nada.

Não à toa, para muitos povos o Sol é Deus. E Kon-Tiki foi um ser vivo mesmo, segundo as tradições orais, caminhou por entre os homens, navegou com eles, e junto deles tomou decisões, encorajou e deu conselhos. E está no sangue pelas gerações.

Kenji

13 de abril de 2015