Oficinas no Piratininga

Palestra com Eduardo Kickhöfel

Palestra sobre o Projeto – Atelier Piratininga

Exposição Atelier Piratininga, abertura

existir, ou, sobre a oportunidade de viver

Desconsideramos agora o sofrimento. Conduzimos nossas intenções e pensamentos ao que é bom, pois é ele que nos interessa no momento. Pergunto-vos se recordam da experiência de surgir, e o primeiro abrir dos olhos neste mundo? Que experiência fabulosa não? Imagine agora, Ser mãe? Dar a “luz” a um “Ser Humano”. Digo-lhes que é transcendente. Agradecemos então o passo 1.
Seguindo, a despreocupação, novidades, alegrias e brincadeiras de Ser criança. Talvez, a melhor fase de nossa existência. Dizem que voltamos a este estágio na velhice. Opa! Se for assim, conversarei com o homem do tempo para permitir-me passar por isso.
Deixemos o passo 2, andamos ao 3, ou, o do amor juvenil, dos namoricos, dos apaixonados. Lembro-me do primeiro amor, jamais a esquecerei. Mágico!
Daí vem a tal das responsabilidades, trabalho, contas e desafios. Esse é o passo 4. Tão confuso, não? Será? Voltamos então sobre a oportunidade de viver. Movidos por um turbilhão de informações não nos damos conta e saímos do eixo. Não! Não! Vamos continuar seguindo, pois seja esta a vida da superação. Na verdade, faz todo sentido, “Ser” “superar”, “Ser” “transformar”. Sejamos humildes para reconhecer que nossa existência DEVE-SE, no mínimo, a nossa mãe. Sejamos gratos a ela. Quem além dela é capaz de doar-se inteiramente, às vezes até se auto-prejudicando para o nosso melhor?
Remando sobre as ondas dos dias buscamos o Encontro, sempre, com o novo, com o diferente, com as dificuldades que nos dá o sabor. Atravessamos lugares e desfrutamos por mais tempo aqueles com que nos atraímos, pela felicidade, por serenidade, por paz interna. Nesse estágio “somos” mais íntegros, ouvimos e falamos menos, saboreamos e comemos menos, olhamos menos e vemos mais.
Este lugar, esta oportunidade, fez-me recolher, e é por isso que sou humildemente grato a esta montanha, aos seus moradores e a todos os seus Tesouros. Durante estes oito meses não deixei de escutar por um único dia os cantos e encantos dos pássaros, e perdi a conta de quantas vezes o mesmo beija-flor, sempre pela manhã, visitou-me dentro de casa.
Aos novos amigos da Montanha que Chora agradeço, com alegria, por proporcionar-me essa riqueza que tentei transformar em estampas xilográficas. Transmito assim esse percurso com toda a verdade, enfrentando meus limites como artista nas gravações em madeiras, crendo na dependência e que as coisas não acontecem por si só, nesta oportunidade de Ser Humano.

 

S.O.

S. Bento, 21 de setembro de 2015

Palestra no Museu Casa da Xilogravura – Campos do Jordão – 3 de outubro (exposição até 30 de novembro)

setembro de 2015

Exposição em São Bento – Igreja São Pedro – 17 de setembro

Exposição em São Bento – Igreja São Paulo – 13 de setembro

agosto de 2015

Das imagens

A vivência em um lugar tão especial como São Bento do Sapucaí, onde o silêncio permeia e se faz presente por todo o espaço, me faz procurar o universo poético próprio do ambiente, em busca de sua identidade. Um movimento oposto ao que vinha me acontecendo em São Paulo, onde eu procurava mais a minha própria identidade, o meu universo pessoal, o meu silêncio entre tantas manifestações caóticas e sobrepostas da cidade.

Adentrar nesse ambiente através da vivência de residência artística se deu de forma natural e gradativa, de acordo com a intimidade crescente. A primeiro momento, vieram as paisagens, depois os retratos das pessoas e, em seguida, as cenas das pessoas em seus afazeres. Poucas vezes fiz cenas narrativas, tem sido um aprendizado. Mas eu não conseguiria escapar de fazê-las, é um jeito de compreender o ambiente e seu contexto. O embate da natureza ao redor propiciou cenas do gesto da água, do movimento do céu e da solidez abrupta das pedras. São forças muito presentes nessa geografia acidentada da Serra da Mantiqueira (a montanha que chora). Aqui o grande impacto na imagem é a formação da serra. O relevo ou acidente geográfico é o responsável pelas muitas curvas, diagonais e pontos de vista a partir de diferentes lugares sobre um mesmo objeto.

A chave aqui talvez seja o contraste. O contraste da luz solar e da sombra, o que ela alcança e o que é inalcançável. Afirmo isto tanto em relação à  composição de cada imagem quanto em relação a geografia do lugar. É nas dobras do relevo onde ocorrem os contrastes e são esses lugares que me despertam curiosidade. Tudo acontece nas dobras: a formação da vegetação, o curso d’água, a manifestação cultural das pessoas que ali vivem, sua tradição.

A arte para mim é uma forma de relacionar-me com a vida. E o desenho é a principal ferramenta para compreender as suas  manifestações. Todas essas imagens que ando produzindo são consequências das experiências aqui vividas. A imagem surge depois. A experiência primeiro.  Eu poderia passar oito meses sentado à mesa sem sair de casa desenhando sem parar, mas nenhum desenho valeria, nenhum faria sentido para mim. O que mais me importa aqui nesse projeto é o caminho e não somente o destino. E é o caminho percorrido a pé, de mala nas costas, que eu desenho. Desenho de corpo inteiro, desenho com a mente, desenho com o espírito. Busco um contraste solar. Mas não o busco como um destino, busco no percurso. O caminhar é muito importante como processo. A pé, no meu próprio tempo, posso deslumbrar de diferentes vistas e ver a luz passar várias vezes sobre um mesmo objeto em diferentes ângulos.

Nessas cenas, o claro-escuro é o potencializador dos cinzas, do que está na penumbra. Sugere uma vida que não está nos extremos, que entre preto e branco, sim e não, existem muitas possibilidades. O desenvolvimento da consciência e de como percebo o mundo está vinculado ao desenho. Quanto mais sutilezas enxergo nos meio-tons, mais percebo que a vida não se manifesta apenas na dualidade, ela é muito ampla. Penso que é preciso olhar para o que está sob intensa luz solar, para o que está na escuridão e também para o que está entre os dois. A importância maior pode estar num único ponto, mas o olhar deve ter interesse em vaguear pelo restante da imagem.  Nem sempre o mais importante está sob a luz.

Em tudo há beleza, em tudo há uma força vital, uma essência. Não me interessa a forma pela forma. A forma ou a aparência não é por puro acaso, ela existe em função do conteúdo, é espelho de sua essência. Então, mesmo que a importância esteja em um objeto, na cena cada pequeno elemento deve ser desenhado em sua essência, mesmo que apenas sugerido com pouquíssimos traços. Pois mesmo poucas linhas podem falar de muitas qualidades de uma árvore. Só que, para conseguir essa síntese, é necessário a vivência, entender os contextos da árvore. Acredito na ideia de que, para conseguir uma abordagem plena de um objeto, não devemos buscá-lo como um continente, mas como um arquipélago.  Que, para atingir um desenho preciso, não basta apenas sentar a frente do objeto e desenhá-lo infinitamente. Ele está inserido em um contexto e então a maneira de compreendê-lo pode passar por várias experiências diferentes, como cozinhar, conversar, mexer com a terra, catar pinhão, caminhar por trilhas, namorar, correr pela manhã…todas as experiências vividas no lugar de contexto mesmo que aparentemente desconexas são ilhas de um mesmo arquipélago, elas constroem a nossa compreensão de um objeto e, por conseguinte,  o desenho que fazemos dele. Por isso, cada pessoa desenha de um jeito único, pois vive experiências únicas.

A gravura em metal tem sido um meio que atende ao meu desenho. E seus procedimentos têm correspondido às necessidades das imagens.

Diante de uma natureza a ser retratada de observação, a água-forte é uma certeza, a captura do movimento da vida, de uma manifestação, através do gesto rápido e sintético, captura o todo, o movimento geral da composição.

Depois, já na casa, sobre a mesa, utilizo do buril para esmiuçar os meio-tons. É o buril que cria uma estrutura sólida e precisa da cena, através de tramas de linhas, cria a base do contraste, peso, volume, luz e sombra, profundidade. Cria uma objetividade e dá veracidade aos detalhes.

E a ponta seca é o gesto espontâneo do errar. A  imagem cristalizada de certezas quando recebe o toque da ponta seca ganha uma força trêmula, viva. Que vem do caráter direto, impulsivo e impermanente do corte com rebarba. É um corte sem garantia, é resposta direta e imediata da intuição. Como a própria vida. E é nessa “imperfeição” que mora o acaso e o erro. O longo errar das experiências vividas até então, dos caminhos percorridos. Demorei a entender isso. A aceitar a incerteza e a impermanência como parte natural da vida.

Penso que é importante aprender a lidar com essas diferentes naturezas, distinguindo suas qualidades e sutilezas para tornar nossa compreensão mais ampla, para estarmos mais despertos.

 

Rafael Kenji

Estar presente

Uma pessoa se compromete realmente a aprender algo quando ela se dá conta que isso faz parte do seu projeto de vida.

Todo o esforço deve ser nesse sentido.

Eu não tenho nenhuma certeza de como será a vida daqui a um ano. Não consigo imaginar…

Hoje, nesse exato momento, no percorrer deste projeto, sinto uma energia muito forte, me sinto realmente presente. Acordado para muitas coisas. Com um futuro nebuloso e com um passado sendo revisto o tempo todo. O silêncio da montanha propicia isso. Consigo perceber certas limitações minhas, meus defeitos, velhos hábitos ruins, dificuldades de lidar e relacionar com pessoas. Aqui nesta área rural de São Bento do Sapucaí, estou fora da minha área de conforto. São situações novas pedindo soluções novas.

Estar aqui tem sido um aprendizado diário. E aos poucos vou me percebendo em diferentes condições. Estar aqui e me dedicar a uma atividade que eu gosto e que talvez seja a melhor coisa que eu saiba fazer nessa vida me alimenta, alimenta uma renovação constante.

Poder receber os amigos nesta casa e levá-los para conhecer os lugares que têm me alimentado é só felicidade, poder compartilhar essa alegria.

Sentir o  corpo, entender o seu limite. Tem sido uma experiência tão intensa que a minha única certeza é estar aqui presente e vivo.

Percorro todos estes morros com meus pés.

Suor, o sol queimando, a roupa encharcada. Um passo atrás do outro e são muitas estórias.

Molho a cabeça numa bica d’água e tropeço nesse horizonte….. Eu não tenho certeza alguma de como será a minha vida daqui a um ano. Tudo o que sei é que fui buscar uma imagem minha pela manhã e voltei com riscos numa placa de cobre. O dia está quente e incrível. E volto para a casa amarela com alguns quilômetros na sola da bota, com a estrada de terra impregnada no corpo e na alma. Espero que o banho de ácido revele a gravação de todo o caminho da imagem, de todo o meu caminho.

O Milton Nascimento é o exemplo de artista pra mim, que admiro muito: vida, obra e postura.

E não por acaso, cantarolo e assobio algumas de suas músicas pela estrada, nessas idas e vindas desse projeto. E Nos bailes da vida resume tudo:

 

Foi nos bailes da vida ou num bar
Em troca de pão
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
De tocar um instrumento e de cantar
Não importando se quem pagou quis ouvir
Foi assim

Cantar era buscar o caminho
Que vai dar no sol
Tenho comigo as lembranças do que eu era
Para cantar nada era longe tudo tão bom
Até a estrada de terra na boléia de caminhão
Era assim

Com a roupa encharcada e a alma
Repleta de chão
Todo artista tem de ir aonde o povo está
Se for assim, assim será
Cantando me disfarço e não me canso
De viver nem de cantar

 

Rafael Kenji

julho de 2015

junho de 2015

Oficina no Genésio – São Bento

o menino que sabia fazer muito, o pequeno e jovem amigo

O menino que batia forte na madeira
Era o mesmo,
Que cavalgava em seu cavalo
Spirit, suava
Correndo nas estradas de terra

Magro, amigo
Conhecido da vizinhança
Desperta cedo
Leva o caçula à estudar e volta
Chutando as pedras pro céu

Com sua bota, frouxa
Sente-se tímido com a novidade
Feliz,
Senta-se na roda de conversa
Dos mais velhos escuta assombrações

Como qualquer um
Magoa-se com seus sentimentos
Esse menino que faz, de quase, tudo
Até já faz xilo
É o guia da montanha

Assim ahh…, meu passado, minha infância
Lembro-me desse tempo
Do medo, do castigo, das travessuras
Onde apenas somos crianças
Querendo brincar.

 

(S.O)

1 de junho de 2015

maio de 2015

uma tal de xilo

Existe em mim, dentro, um compromisso existencial em estar ativo produzindo trabalhos que sirvam como combustível e ânimo para “acordar” todos santos dias. Esses trabalhos necessariamente devem ser difíceis. A xilogravura por todas suas etapas que antecedem “a prova final”, sua realização (preparação da matriz de madeira, lixa, desenho, entalhe ou gravação, papel, impressão) me desafia.

 

Uma estampa xilográfica é uma história. É registro de um momento, de uma experiência pessoal narrada através de uma imagem. Os desenhos são palavras, poemas, sentimentos gravados com intensidade e suavidade. Essa leitura é fácil, basta olharmos os cortes realizados pelos instrumentos que chamamos de goivas que marcam toda área que é branca/papel da imagem. É a expressão do estado interno em que o artista gravador se encontra.

 

Para mim é importante o figurativo, justamente pela dificuldade em retratá-lo. O tempo (clima) exerce influência no ato. A partir do momento em que me coloco neste desafio, só saio de cena quando a “troca” com a paisagem atingiu um alto grau de satisfação interna. E, junto, percorre pelo corpo uma sensação de alívio.

 

Este desafio que tanto insisto em dizer, é mais fácil de entendê-lo, por exemplo, quando nos propomos à realizar um retrato. Nesses dias fiz um retrato para virar xilogravura de uma jovem belíssima, Larissa. Tinha que conseguir expressar no desenho toda sua jovialidade e todo encanto que vejo e que vem dela. É um processo de observação, entendimento externo filtrado e transformado, transmitido de forma sentimental expressa pelas mãos. As mãos revelam no desenho, na gravação, toda essa combustão.

 

Não é apenas semelhança física! Tem a ver com “Processo e Vivência”, com a beleza particular sentida, vista. As mãos, olhos e cabelos carregam em si uma autenticidade particular. Chama-me a atenção em caprichar nisto. É importante as pessoas saberem que a realização de uma obra é Devoção. Não é apenas um papel com um desenho. Como disse, serve de registro da História, minha, nossa, sua, repleta de anseios, dificuldades e paixões.  O Desafio não é artístico, é Humano.

 

(S.O)
25 de maio de 2015

visita do tempo

o tempo vem me visitar

e sobe a manhã

no lombo das vacas

 

até a minha soleira,

o campo é só ribanceira

e bom atraso faz o capim

 

mas mesmo no meu horizonte

verde vasto

as vacas se saciarão

 

tempo curto, tempo lento

a araucária reverencia com seu chocalho

forra de castanho vermelho o chão

 

tempo manso,

morde pelas beiradas,

como a criança come pinhão

 

Kenji

março de 2015

Apresentação na EE Dr. Genésio Cândido Pereira

abril de 2015 (2)

a lição do sol

Aqui me senti abençoado, em verdadeiro estudo.

Poder acompanhar o sol subindo cada degrau de sua escada e observar suas mãos sobre o mundo – que tanto pode ser da estatura do Baú como do infinito universo do olho da mariposa – isso é incrível.

Que mestre é o Sol! Mesmo após um dia inteiro discursando a nós, sobre a forma, peso, volume, tonalidade, movimento, até o seu último instante, ele é mestre: despede-se lançando seus últimos versos por entre-nuvens como sua máxima lição de desenho. Falando aqui não apenas de técnica, mas de experiência de vida, ou poética, como queira. De desenho como desígnio ou intenção.

A maior privação que se tem em uma cidade concretada de prédios é não poder observar a peregrinação diária do Sol e do horizonte necessário. O Sol revela todas as formas, por vários ângulos e intensidades. E, ao mesmo tempo em que descreve um tratado da impecável beleza das formas, nos mostra também, que são formas e apenas formas. São todas perecíveis.

E o horizonte, é o catalisador dos sonhos, dos planos, dos desejos. É essa abertura de espaço e de tempo que propicia o silêncio necessário para ouvir, de peito aberto, os conselhos do Sol. E refletir essa luz na própria vida. Digo isso não só de mimimi poético, mas como realidade material, física, psicológica, humana. É fato que precisamos desse espaço/tempo. Não há necessidade de provas científicas, mas com certeza, surgirão pesquisas e estatísticas e números a concordar.

Sem observar o trajeto solar no horizonte, é fácil se perder e se bitolar no cotidiano. E seguir um dia após o outro como se fosse nada.

Não à toa, para muitos povos o Sol é Deus. E Kon-Tiki foi um ser vivo mesmo, segundo as tradições orais, caminhou por entre os homens, navegou com eles, e junto deles tomou decisões, encorajou e deu conselhos. E está no sangue pelas gerações.

Kenji

13 de abril de 2015

dos primeiros passos em são bento

Saindo de São Paulo, são cerca de três horas para chegar em São Bento do Sapucaí, e mais uns vinte minutos até esta casa aos pés da Pedra do Baú. O Tempo cansa de subir este mar de morros – tira o suor da testa e encosta debaixo de uma árvore. Parece que aqui na serra o Tempo é outro. Mas o Tempo, ele continua a subir, lento, mas caminha, sim.

A verdade é que, neste silêncio, nós é que somos outros. O Tempo é o mesmo, é ele e somente ele. Enquanto nós é que estamos a procurar o Tempo, ou um “tempo diferente”. Esse talvez seja nosso maior espanto.

Quando topamos com uma Natureza mais equilibrada, mais viçosa, percebemos que ela simplesmente é: é aquilo o que é e sempre foi. Enquanto nós somos sempre o eterno filho pródigo, a procurar o que nos falta. A Natureza aguarda nosso retorno de braços ternos, como mãe.

E de fato, é um reencontro nosso retorno: reencontro não com uma natureza distante, mas com a nossa própria Natureza, a criança solar. Nós somos a Natureza.

Reaprendemos (ou aprendemos de verdade) o que é o pôr-do-sol, a nuvem em chuva, o tempo das árvores. As ervas, o capim ou mato, os vôos, a mina da água. Voltamos a perguntar os nomes das coisas, pra que serve, se é de comer, como faz isso ou aquilo… a soletrar a vida.

Enxergar as cores, os desenhos no céu, os gostos, os rostos e os tons. A criança solar de curiosidade e humildade. Pois é impossível ser indiferente, quando se põe a caminhar na crista estreita da pedra alta. Que sensação é andar descalço na pedra nua, com precipício ao redor! Certo está Amyr Klink: um homem precisa viajar, viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu! E, claro, Matisse: é preciso ver o mundo com olhos de criança!

Kenji

13 de abril de 2015

 

abril de 2015

“Nascer, morrer, renascer e progredir sem cessar: esta é a lei.”
(Goethe)

“O Homem já não deve temer nem apenas crer e amar, mas também, e sobretudo, saber porque crê e por que ama”.

(Rivail)

 

“Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poderio da causa é a razão da grandeza do efeito”.

(Rivail)

 

(S.O)

10 de abril de 2015

março de 2015

cafézinhos açúcarados

Não digo que sou daqui, nem que viveria aqui.

Mas de uma coisa tenho certeza, “como é bom estar aqui”!

Se pudéssemos definir o tempo, diria que São Bento está próximo de um ritmo ideal.

Vejo os mesmos problemas da cidade grande enraizados nas pessoas que habitam este vale nebuloso.

É comum e é humano lidar com sentimentos e valores seja aonde for.

Há tristeza, há inveja, há felicidade.

O paraíso não é aqui, nem ali. Está em nós.

Feliz sou por esta oportunidade, mais uma vez.

Aqui na montanha a natureza grita.

Pode-se sentir o sol e a chuva escorrerem pelo corpo; posso caminhar na noite iluminada pela lua, ver, que lá distante no céu mais profundo, milhões de seres escrevem assim como eu sobre suas estrelas vizinhas.

Já, nos primeiros raios de sol, cumprimentam-se com “oba” e ” tudobom”, sorrisos e breve bate-papo, “cafézinhos açúcarados para agradar a visita” como eles mesmo dizem, esses, meus novos amigos.

(S.O)

30 de março de 2015

“O pagamento tem de ser de um jeito que não fique nem caro nem barato…

Se for caro, não vão pagar, e vai haver prejuízo, e se for barato, todo mundo vai começar a comprar um dos outros, vão começar a negociar com a terra.

Pois bem, aí está o que eu queria fazer com vocês.”

(L.T)

 

“Não há árvore boa que dê mau fruto, nem tão pouco árvore má que dê bom fruto.

Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.

(N.T)

 

O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau, do mau tesouro tira o mal;

Porque a boca fala do que está cheio o coração.”

(N.T)

 

(S.O)

28 de março de 2015

perfume vermelho

Moça,

 

Lá no alto da Pedra onde ela toca as nuvens,

Os urubus plainam no vale, descansam no observatório do nariz da Mantiqueira.

 

É lá também que o bom vento acaricia o rosto trazendo a beleza inesperada em um dia comum ensolarado.

 

Não esqueço, não consigo esquecer. Virará, ou já virou, uma lembrança eterna.

 

(S.O)

28 de março de 2015

fevereiro de 2015

fraterno

Dois anjos brincavam no céu.

Por descuido, um deles quebrou as asas ao encostar em um trovão.

Imediatamente, o segundo arrancou de si uma das asas e a deu ao outro.

Para casa, juntos, retornaram.

(S.O)

 

Cultive o negro profundo atrás dos seus olhos que verá a luz irradiante do universo.

(S.O)

17 de fevereiro de 2015

azul

Havia uma menina de coração espelho d’água.

 

Quando o sol tocava seu peito,

este iluminava as estrelinhas de um pequeno riacho.

 

Quando o sol se escondia atrás das nuvens,

o riacho refletia

apenas o brilho de seus olhos inocentes,

 

E a menina enchia seu peito de vento e voava

brincando como uma borboleta celestial.

 

(S.O)

14 de fevereiro de 2015